Felicidade e bem-estar no trabalho Marcio Fernandes, ex-CEO da Elektro, fala sobre importância do propósito para engajar pessoas e aumentar rentabilidade A felicidade no trabalho, como forma de aumentar a rentabilidade nos negócios, vem ganhando espaço no mundo corporativo.
Em 2015, Márcio Fernandes (ex-CEO da Elektro e um dos líderes empresariais mais admirados do país) lançou o livro “Felicidade dá lucro” – um marco na difusão do conceito de felicidade no trabalho. De acordo com o modelo de gestão defendido no livro, a combinação entre felicidade e lucro traz equilíbrio e ajuda as pessoas a se sentirem bem com o que fazem. Assim, é possível alcançar melhores resultados, seja no mundo corporativo ou na vida pessoal. De acordo com o autor, é essencial que cada pessoa encontre um propósito para seu trabalho. “É fundamental que as pessoas e a empresa tenham propósitos convergentes e, para isso, é importantíssimo que os líderes conheçam os objetivos e sonhos de cada liderado, para poder ajudá-los a se desenvolver. A proximidade entre colaborador e líder gera credibilidade e facilita o processo de engajamento”, afirma.
O executivo ressalta que é preciso ter consciência de que a empresa só consegue o engajamento de seus colaboradores à medida que os trata de forma humanizada, ou seja, com interesse genuíno. “Para que as ações de engajamento sejam efetivas, é necessário que os colaboradores participem e contribuam tanto no processo de elaboração quanto de realização das iniciativas. Se elas não fizerem sentido para a equipe, o efeito será nulo”, explica.
Sobre a relação da felicidade com o lucro, Fernandes explica que os resultados virão quando todos na empresa tiverem objetivos compartilhados e acreditarem em um propósito comum. “A participação de todos é fundamental para o sucesso. Assim, a felicidade no trabalho é de fato uma vantagem competitiva e o lucro é a consequência de todo o processo.
Em meu segundo livro demonstro como fazer essa correlação entre lucro e felicidade por meio de um índice que chamo de ‘aderência à filosofia de gestão’. Nele, é possível cruzar os indicadores tradicionais de lucratividade, como rentabilidade, crescimento e outros, com os indicadores tangíveis e intangíveis que se referem à gestão de pessoas”. Esse modelo de gestão se aplica a qualquer empresa, grande ou pequena, familiar ou não, defende Márcio Fernandes. “Todas as pessoas que querem evoluir, se desenvolver e conquistar novos espaços, realizar sonhos e protagonizar uma vida com propósito, que faça sentido, irão adorar. Assim, não importa o tamanho, o que importa de fato é o propósito convergente”.
Para colocar esse modelo em prática, o autor sugere que os empresários comecem fazendo uma reflexão. “Pense: o que de fato faz com que as pessoas que trabalham na minha empresa todos os dias consigam ter o mesmo brilho que eu, que a criei? Tentem se colocar no lugar dessas pessoas e, com interesse genuíno, encurtem esse caminho. Assim, vocês poderão construir valor para quem os valoriza”.