Um novo modelo de gestão, ou a necessidade de novos ares nas organizações

Um novo modelo de gestão, ou

a necessidade de novos ares nas organizações.

 

Geraldo E A Drumond (*)

 

Acredito que já há algum tempo, mesmo antes desta pandemia, vínhamos, muitos que convivem em ambientes corporativos, sentindo a necessidade de repensar e de viver novos ares nas empresas e organizações.

As estruturas hierarquizadas, a forma de liderar ainda, regra geral, com um viés mais autoritário e ainda não muito participativo, as relações de poder, o desgaste nas relações interpessoais, a forma de competir internamente, ainda predatória e não muito cooperativa, as relações entre os vários públicos das organizações, nem sempre com propósitos claros e transparentes, e outras questões mais, por mais que possam existir bons exemplos, e existem, não estavam atendendo, careciam, e ainda carecem, de novos ânimos, de novos ares, de um modus operandi que seja mais estimulante, que respeite, valorize e tenha e também dê o melhor das e para as pessoas em suas várias dimensões.

As organizações, quer sejam públicas ou privadas, existem para atender as necessidades das pessoas, de seus públicos interno, seus clientes, seus proprietários/gestores, seus fornecedores, à comunidade, e enfim, forma-se uma grande rede de provedores e clientes/usuários de produtos, de serviços, atendendo aos vários segmentos da indústria, comércio, prestação de serviços e também as empresas e órgãos públicos, além das organizações da sociedade civil.

Esta grande rede, mesmo que seja múltipla, diversa, e atenda a vários fins e interesses, e mesmo que não tenha regras que sejam claramente aplicadas a todos, cumpre o nobre papel de possibilitar que todos, que cada um, tenha o atendimento de suas necessidades básicas e que possamos todos, ter qualidade de vida, acesso à saúde, educação, moradia, trabalho, cultura, segurança, enfim, habitar com dignidade este planeta, que a cada dia diminui distâncias e nos indica que somos Um, e sujeitos ativos de sua evolução, ou seja, o que e como pensamos e como fazemos repercute em toda sua dimensão.

Aqui, quero chamar atenção para uma primeira premissa, que deveria ser óbvia, de que as organizações existem para atender as pessoas e não ao contrário. São as pessoas o objetivo final de tudo que se faz, de tudo que se movimenta, de todos os recursos, de todos os processos, de todos os resultados e entendo que não devíamos precisar de uma pandemia global para nos evidenciar isto.

Uma segunda premissa, esta relacionada com o enorme desafio que é o de gerir esta rede, é a necessidade de líderes e organizações humanizadas, de seres que nos conduzam ao melhor de nós mesmos, na vida, no trabalho, na família, que nos inspirem com propósitos maiores do que nós mesmos, que façam aquilo que faz sentido, que pratiquem e estimulem muito a cooperação, a confiança, a crença de que podemos sim ter um arranjo econômico e social que nos permita ter o básico e ainda assim, termos uma contrapartida da natureza e do tamanho da contribuição de cada um a este arranjo, privilegiando mais aqueles que contribuem mais, mais preservando o mínimo para todos; assim penso, damos um passo decisivo para abraçar a todos que acreditam que precisamos estar divididos para reafirmar nossa condição de vida.

Todas as organizações deveriam se repensar à luz destas duas premissas, privilegiando as pessoas e permitindo o acesso a cargos de liderança a pessoas com interesse legítimo nas outras pessoas, em suas aspirações, em suas capacidades de trabalhar, de contribuir, de cooperar, enfim, de um objetivo maior que nos una a todos no grande propósito de nos tornarmos seres humanos melhores num planeta maravilhoso chamado Terra.

Será que temos inteligência, recursos, vontade, para empreender nesta direção? O que nos falta, o que nos prende ainda a interesses particulares, pequenos, com uma visão tão pequena da grande oportunidade que nos é dada de viver?

Pode ser ingenuidade, pode ser utopia, pode ser o que for, mais acredito que podemos ser um novo humano numa nova terra, por mais árduo, distante e desafiador que possa ser este longo caminho que temos a empreender. Vamos começar aqui e agora, cada um fazendo a sua parte?

Repense seus objetivos, como se relaciona com os outros, como doa, como recebe, como espera o melhor de cada um, como vai contribuir para este enorme desafio de sermos gente num planeta feito de gente e para gente.

E, o que é melhor, só depende de você!

 

(*) Geraldo E A Drumond é consultor de organizações, com ênfase em liderança, estratégia e gestão de pessoas, com MBA em Administração Estratégica pela UNA, especialização pela FDC em Gestão de Executivos e Diretor da Drumond Soluções Empresariais. www.drumondconsultoria.com.br

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